PARALISIA CEREBRAL, UM TABU A SER QUEBRADO

quinta-feira, 18 de junho de 2009

NOTICIA - 'Rafael Cortez leva a RP audiolivros de Machado de Assis'

Jornalista-ator participa da Feira do Livro nesta sexta (19/06/09)

O ator, músico e jornalista Rafael Cortez, uma das atrações do primeiro dia de encontros da Feira do Livro de Ribeirão Preto, promete uma tarde divertida e interativa aos participantes que forem ao Theatro Pedro II, nesta sexta-feira (19/06), às 14h. A programação do dia tem ainda Jacob Klintowitz, Júlio Medaglia, Ali Kamel, entre outros (veja programação completa da sexta abaixo).

Em entrevista ao site EPTV.com, Cortez, que é repórter do programa "CQC", contou sobre a experiência de gravar três audiolivros de Machado de Assis e do plano de se tornar escritor.

O que está preparando para a Feira do Livro de Ribeirão Preto?
Estou preparando um encontro bem produtivo com todo mundo que, como eu, gosta de Machado de Assis e ainda acha a nossa literatura - e os livros, de modo geral - algo muito mais interessante e produtivo do que "Big Brother Brasil" na televisão. Minha participação nessa Feira será um modo de mostrar que ainda existem pessoas inteligentes e antenadas com valores nobres e brasileiros. E vamos brindar isso com um pouco do meu violão, algo do meu humor, muito da minha verborragia e uma boa dose de interação com a platéia.

Como surgiu o projeto dos audiolivros?
Fui convidado pela Sandra Silvério, diretora da Livro Falante (editora que está por trás de todo esse trabalho), para um teste de áudio. Ela me viu interpretando uma peça infantil em São Paulo e gostou da minha voz. O tal teste nunca existiu. Em nossa reunião, decidimos que eu gravaria "O Alienista", do Machado de Assis, em duas tardes, já valendo, já gravando. O fluxo da leitura foi tão bom que matamos tudo em um único encontro. Isso nos estimulou a gravar mais duas obras ("Memórias Póstumas de Brás Cubas" e "Dom Casmurro") e ainda deixar uma quarta para o futuro ("Quincas Borba", que ainda não finalizei).

Como foi o processo de gravação?
Exaustivo, intrigante, excitante, gratificante... tudo ao mesmo tempo. Gravar "Memórias Póstumas de Brás Cubas" foi o segundo maior desafio de minha carreira de ator. Só perdeu para a construção de dois personagens em uma peça que fiz entre os anos de 2005 e 2007. No mais, foi um processo um pouco mais tenso por conta de minhas gravações no "CQC". Quando as agendas bateram, a coisa complicou muito. Mas hoje, com três desses quatro audiolivros prontos, me orgulho demais de todo o trabalho. São meus filhos queridos.

O que achou mais legal? O que aprendeu? O que achou estranho?
O mais legal foi saber que algo que fiz está imortalizado. O teatro não me possibilitou essa imortalidade. Quem me viu em minhas peças, viu. Quem perdeu, não saberá nunca o que foi aquilo. Na TV, a coisa é muito efêmera. Um programa recicla o outro, e quando todo o processo acaba você só existe no arquivo da emissora (e em algumas memórias seletivas de um país sem lembrança de nada). Gravar audiolivros me deu a sensação que meu CD instrumental também me lançou: estou vivo para as gerações futuras. Minha voz, meus sentimentos e um pouco de mim ficarão nesses trabalhos.

Aprendi que os trabalhos árduos são os melhores. Gravar os audiolivros foi tão exaustivo quanto gravar o "CQC" ainda é. Logo, os audiolivros são ótimos como o programa para mim. Tudo que me exigiu muito empenho e tudo de mim, me devolveu o máximo de alegria como recompensa.

No mais, achei estranho me reconhecer em alguns momentos de minhas gravações. Haviam sentimentos misturados em boas passagens de áudios, o que me deu uma sensação de que algo maior me iluminou em algumas passagens.

E, por fim, foi estranho achar minha voz gostosa em vários trechos. Eu, como um ótimo autocrítico, sempre me achei meio anasalado demais, adolescente em excesso.

Você já tinha ouvido um audiolivro?
Apenas um trecho de um audiolivro do Paulo Autran, cujo nome não me recordo agora...

Qual futuro você vislumbra para os livros impressos com o surgimento de novas mídias e novos formatos, como a internet e os audiolivros?
Espero que eles sejam estimulados pelas novas mídias e formatos. Não creio que as inovações que a internet e os audiolivros trazem tenham a pretensão - e o poder - de matar os livros impressos. Para mim, talvez de acordo com uma ilusão pessoal, tudo vem para somar esforços na revitalização dos livros. No caso dos meus audiolivros, por exemplo: quem quiser conhecer as obras do Machado de Assis apenas pela minha voz, vai perder detalhes preciosos da história e não entenderá diversas coisas em cada título. O ideal é ouvir o audilivro com o livro impresso do lado, acompanhando tudo.

Você é ator-jornalista-violonista, mas também é blogueiro. Pensa em ser escritor também?
Penso muitíssimo. Aliás, o meu projeto pessoal para a fase pós-TV (que um dia virá, ainda que eu não queira) é viver de minhas escritas e músicas. Planejo escrever pelo menos dois romances e, já na velhice, uma biografia. E, ao longo da vida, quero lançar uma série de CDs instrumentais-autorais e de MPB.

Estante:

O que está lendo? Acabei de ler "O Lugar Escuro", de Heloísa Seixas. Me preparo para ler a nova biografia de Nara Leão escrita por Cássio Cavalcante
O que está ouvindo? Muito Public Enemy, Badi Assad, Nara Leão, Duo Assad, Segóvia, Carole King e... Chicago!
Quem está entrevistando? Semana após semana, entrevisto alguém novo pelo "CQC"... Mas quem eu mais queria mesmo entrevistar é a Maria Bethania, de quem sou absurdamente fã!

Fonte: EPTV.com - Globo.com

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